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Declaração TSF-Mining: Rumo a uma Transformação Socioecológica e Sistémica em resposta às narrativas da transição “verde”

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Fórum Social Temático sobre Mineração e Economia Extrativista (TSF-Mining) Cúpula dos Povos na COP 30 – Novembro de 2025, Belém do Pará, Brasil

Nós, movimentos, organizações de base e ativistas do Fórum Social Temático sobre Mineração e Economia Extrativista (TSF-Mining), reunidos na Cúpula dos Povos na COP 30 em Belém do Pará, afirmamos nossa posição coletiva e nosso compromisso com uma transformação socioecológica e sistêmica que confronte as narrativas dominantes da “transição verde” promovidas por corporações, governos e instituições financeiras internacionais.

A chamada transição verde ou energética é apresentada como solução para a crise climática, mas reproduz a mesma lógica extrativista e capitalista responsável pela destruição ecológica e pela injustiça social. Ao colocar o sistema minerário e extrativista no centro da resposta às mudanças climáticas, essa narrativa cria uma ilusão falsa e perigosa—que esconde a continuação de um modelo predatório e colonial que explora pessoas e territórios em nome da descarbonização, do progresso tecnológico e da militarização.

Sob as bandeiras da “energia limpa” e da “transição digital”, minerais de transição estão sendo extraídos através de práticas violentas, poluentes e excludentes que destroem ecossistemas, deslocam povos indígenas e tradicionais, e aprofundam desigualdades—especialmente no Sul Global.

Esse modelo de extrativismo minerário expandido não apenas alimenta guerras, militarização territorial e criminalização de defensores, mas também impulsiona enormes aumentos nos orçamentos militares dos EUA e dos países da OTAN, alimentando uma economia de guerra crescente. Essa agenda militarizada é uma força central por trás da crescente demanda por extração mineral—destruindo vidas e terras, e transformando territórios inteiros em zonas de sacrifício para sustentar os padrões de consumo do Norte Global.

Rejeitamos essa transição extrativista. A ideia de que minerar mais lítio, níquel, cobre ou cobalto “salvará o planeta” é falsa. Não é uma solução—é a continuação do problema. Rastrear ou certificar esses minerais sob supostos padrões de sustentabilidade não corrigirá os profundos danos sociais e ecológicos. Apenas “lava” a imagem da mineração e legitima o extrativismo. Esse caminho mantém o mesmo sistema que valoriza o lucro acima da vida, aprofunda a desigualdade global e acelera a crise planetária.

Uma transformação justa e sustentável não pode surgir do mesmo sistema extrativista que causou a crise. Deve desmantelar o poder corporativo, desafiar as dependências neocoloniais e redefinir nossa relação com a natureza com base no cuidado, na solidariedade e no equilíbrio ecológico.

Afirmamos, portanto, a necessidade urgente de construir uma transformação socioecológica e sistêmica que:

    • Garanta o direito das comunidades e povos indígenas de dizer NÃO à mineração e a outros projetos destrutivos, assegurando o Consentimento Livre, Prévio e Informado;
    • Promova alternativas pós-extrativistas e decoloniais, guiadas pelos limites planetários, pela soberania dos povos e pela justiça ecológica;
    • Promova o decrescimento e a redução do consumo, especialmente no Norte Global;
    • Fortaleça a cooperação Sul–Sul para autonomia e soberania tecnológica;
    • Garanta o consentimento comunitário vinculante e a proteção dos defensores ambientais; e
    • Reconheça e faça cumprir os Direitos da Natureza como base para uma vida sustentável e democrática na Terra.

O pós-extrativismo oferece o caminho real e necessário adiante. Valoriza os modos de vida sustentáveis dos povos locais, diversifica as economias e coloca a dignidade e o bem-estar de todos os seres—humanos e não humanos—acima da lógica da acumulação e da exploração, construindo um futuro baseado na justiça, na democracia e na solidariedade.

Chamamos todos os povos e movimentos a se unirem no rechaço às falsas “soluções verdes” e a construírem juntos uma profunda transformação socioecológica e sistêmica que supere o extrativismo em todas as suas formas e construa um futuro enraizado na justiça, na democracia e na solidariedade!

Pelos Direitos dos Povos e do Planeta!

TSF-Mining – Belém, Brasil – 15 de novembro de 2025 

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